A Associação e a natação na Região das Hortênsias
A Associação Aquática das Hortênsias, foi fundada por profissionais e entusiastas da natação no ano de 2025, com sede em Canela/RS, tem a intenção de divulgar, incentivar e promover essa prática esportiva em todas suas dimensões e finalidades. A associação é mantenedora de uma equipe de competição composta por atletas federados das categorias petiz, infantil e juvenil e atletas de todas as categorias dos 7 aos 80 anos de idade, em piscina e águas abertas, das cidades de Canela, Gramado, São Francisco de Paula e Nova Petrópolis, ambos disputando campeonatos estaduais, regionais e nacionais, oficiais e amadores.
Grande parte da equipe treina na piscina da academia Fitwell, em Canela, sob orientação da professora Magda Cabral, mas também em piscinas em Gramado e Nova Petrópolis. Para que os atletas com potencial competitivo pudessem ser federados e disputar provas oficiais em todos os níveis, foi firmada uma parceria com o Clube Caixeiros Viajantes, de Porto Alegre, que é uma das melhores e mais tradicionais equipes de natação do Rio Grande do Sul. No verão 2025/2026, a equipe firmou parceria com o Esporte Clube Serrano, que possui uma piscina semiolímpica aberta, aquecida, mais adequada aos treinos do que as piscinas das academias, onde realizou um intensivo de treinos de dezembro a março.
Dentre alguns destaques da equipe estão o desenvolvimento de atletas de nível nacional, com participação nos Jogos da Juventude (evento nacional organizado pelo Comitê Olímpico Brasileiro) em eventos internacionais, primeiro lugar equipes no Circuito Ocean/SC de águas abertas 2024, maior eventos da modalidade na região sul, participação em diversas competições no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com muitos troféus e medalhas conquistados.
A relevância da natação e a da prática esportiva
A natação é uma modalidade olímpica desde 1986, nos primeiros jogos olímpicos da era moderna. Desde então a natação não parou de se desenvolver, ganhou popularidade e, hoje, junto com as demais modalidades aquáticas (natação, maratona aquática, saltos, polo aquático e nado artístico), é a que distribui o maior número de medalhas.
A prática desportiva, em suas diferentes dimensões (lazer, educação ou rendimento), está ligada à construção de valores fundamentais de desenvolvimento social como respeito, disciplina, atuação em equipe, cooperação, empatia, responsabilidade e promoção de saúde. No caso da prática e educação para a natação, há ainda um aspecto crucial e muito peculiar: a segurança. Saber nadar aumenta significativamente a capacidade da pessoa se manter segura na água, desenvolve a confiança e a consciência sobre o ambiente aquático e melhor compreensão dos perigos, reduzindo os riscos de afogamentos.
Recentemente a natação atingiu nível histórico de praticantes, confirmando popularidade entre brasileiros. Em 2013, 49% dos brasileiros com 16 anos ou mais se declaravam interessados ou muito interessados por natação, o que representava 26,4 milhões de indivíduos. Já na pesquisa 2021, logo após a Olimpíada de Tóquio, este volume atingiu seu pico histórico desde o início da realização do estudo no País, são 60% do universo de brasileiros com 18 anos ou mais, o que hoje representa 66 milhões de indivíduos. Portanto, passados dois ciclos olímpicos, a modalidade avançou 11 pontos percentuais em popularidade entre os brasileiros. A natação fica atrás apenas do futebol entre os esportes mais praticados entre os brasileiros, com 20% de praticantes (IBOPE, 2022).
Em outro estudo elaborado pelo Ibope Repucom, constatou-se que os atletas olímpicos do Brasil mais procurados por patrocinadores são o surfista Felipe Toledo, a esqueitista Rayssa Leal e a nadadora Ana Marcela Cunha (Guri, 2024).
A respeito da saúde, incentivar a prática esportiva é, em especial a natação (DIAS, 2024), uma questão de saúde pública, visto que já é bastante conhecida a relação entre saúde e atividade física através de diferentes dimensões e abordagens (PORTO, 2023).
Natação salva vidas
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), afogamento é a segunda principal causa de morte acidental no mundo na faixa etária entre 1 e 4 anos e a terceira de 5 a 14 anos. Do total de ocorrências registradas no Rio Grande do Sul na temporada 2016/2017, predominaram as idades de 11-15 anos (24,05%), seguidos de 16-20 anos (18,39%). “Devido à grande parcela de jovens que foram identificados entre as vítimas, é imprescindível a elaboração de programas de prevenção ao afogamento no ambiente escolar” (Gomes & Ribeiro, 2017).
Destaque importante do estudo de Gomes & Ribeiro (2017) é que 80% das mortes por afogamento ocorreram em piscinas, tanques ou poços. Nas cidades da região das hortênsias existem muitos locais de banho, seja balneários ou não, dentre os mais conhecidos está a barragem do Salto em São Francisco de Paula, o lago da Fazenda Sonho Meu em Canela, o Panelão em Nova Petrópolis, o Rio Caí em diversos pontos e centenas de açudes e pequenos lagos.
A natação pode salvar vidas, literalmente, pois alguns estudos mostram que prática regular de natação pode reduzir o risco de afogamento em até 88%. Crianças que praticam natação possuem maior capacidade de identificar e evitar situações de risco em ambientes aquáticos, além de desenvolverem autonomia e habilidades motoras essenciais para sua própria segurança (SANTOS et al; ABRÃO, 2024).
A natação na região das hortênsias
A região das hortênsias, compostas pelos municípios de Gramado, Canela, Nova Petrópolis, Picada Café e São Francisco de Paula, apesar de sua relevância em tamanho de população e interesse turístico, é uma das únicas no Estado onde não existem piscinas com tamanho ou infraestrutura adequados para educação, treinamento de atletas, bombeiros e salva-vidas e competições oficiais.
Benefício para as cidades
Investir em infraestrutura para a prática de natação é uma oportunidade para as cidades da região. Piscinas com tamanho e condições adequadas seria usufruída pela comunidade, de diversas formas:
- Redução do risco de afogamento: “Cidade Zero Afogamento”, todas as crianças da rede pública poderiam ter a oportunidade de desenvolver segurança no meio aquático;
- Local de treinamento para guarda-vidas;
- Desenvolvimento de atletas de alto desempenho;
- Desenvolvimento de esporte para toda vida;
- Oportunidade de projeção nacional e internacional do nome da cidade e de empresas locais;
- Desenvolvimento da prática do ensino da natação por estudantes universitários de educação física;
- Potencial direto o turismo: eventos oficiais têm potencial de público de mais de 700 pessoas, além de diversas competições amadoras de grande público que poderiam ser realizadas por aqui;
- Potencial indireto para o turismo: a visibilidade em consequência do destaque de atletas e equipes locais nas competições em outros locais e Estados;
- Geração de empregos (a situação atual já demanda profissionais especializados).
Infraestrutura necessária (exemplo)
O ideal para desenvolver todas potencialidades da natação, é necessário, no mínimo, a construção de uma piscina semiolímpica (25 metros de comprimento), com 1,35 metros de profundidade e 5 raias de 2,5 metros de largura, coberta e com aquecimento adequado (ou nas dimensões 25 x 25 x 2 metros com 8 raias em caso de competições internacionais oficiais).
A capacidade de atendimento com uma piscina nas dimensões mínimas (25 x 12,5 x 1,35 m com 5 raias) e com profissionais capacitados em número suficiente, poderia atingir:
- 1095 alunos por semana, em 15 turmas por dia;
- 1200 crianças poderão aprender a nadar por ano (com rodízio trimestral);
- 6 turmas de adultos divididas entre iniciantes e condicionamento;
- 6 turmas infantis divididas em níveis e idades a partir de 1 ano;
- 3 turmas de hidroginástica.
Para atender a esse plano de utilização seriam necessários, idealmente, 6 professores formados em educação física, 6 estudantes estagiários e 1 coordenador técnico, além de demais serviços relacionados como limpeza, manutenção e secretaria. O que vemos, neste exemplo, é que uma única piscina de qualidade também gera empregos, movimenta a economia local de forma significativa e tem potencial de benefícios abrangentes para a população.
Referências
ABRÃO, Ruhena Kelber; FERREIRA, Ádilla Consuelo. Processo de ensino aprendizagem da natação infantil sobre as temáticas de competência aquática e prevenção de afogamentos: uma revisão de literatura. Revista Multidebates, ISSN: 2594-4568, v. 8 n. 3 (2024): Tecnologias Digitais na Educação.
https://ojs.revistadelos.com/ojs/index.php/delos/article/view/2612
DIAS, Lucas Torres. Benefícios da natação à saude são os maiores dentre os esportes. Jornal da USP, 08/08/2024.
https://jornal.usp.br/?p=789096
GOMES GA, Biffi D, Ribeiro VR. Perfil epidemiológico das vitimas de afogamento do estado do Rio Grande do Sul. Revista Perspectiva: Ciência e Saúde, 2017; vol. 2(2): 13-22. ISSN: 2526-1541.
https://cientifica.cnec.br/index.php/revista-perspectiva/article/view/54/51
GURI, Paulo Guilherme. Olimpíadas 2024: Quais são os atletas brasileiros mais patrocinados? Reportagem. 2024.
https://investnews.com.br/off-work/olimpiadas-2024-quais-sao-os-atletas-brasileiros-mais-patrocinados/
IBOPE Repucom. Sponsorlink. Pesquisa realizada pela Internet, reportagem, 2022.
https://www.iboperepucom.com/br/noticias/natacao-atinge-nivel-historico-confirma-popularidade-entre-brasileiros/
PORTO, Luiz Guilherme Grossi; AZEVEDO, Mario Renato; MOLINA, Guilherme Eckhardt; GUEDES, Dartagnan Pinto; NAHAS, Markus Vinicius; HALLAL, Pedro Curi; MATSUDO, Victor Keihan Rodrigues. A relação entre atividade física e saúde: uma abordagem histórica e conceitual. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde, [S. l.], v. 28, p. 1–7, 2023.
https://rbafs.org.br/RBAFS/article/view/14993.
SANTOS, A. C. dos; FERREIRA, K.; PEREIRA, N. L.; MOREIRA, L. D. F. Segurança aquática para crianças: a contribuição essencial da natação. REVISTA DELOS, [S. l.], v. 17, n. 61, p. e2612, 2024.
https://ojs.revistadelos.com/ojs/index.php/delos/article/view/2612
